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Substituição de árvores em Torres Vedras divide município e habitantes

Mais de uma centena de cidadãos subscreveram uma petição dirigida à Câmara de Torres Vedras contra a transplantação, iniciada terça-feira dia 2 de abril na cidade, de 40 freixos da Rua António Leal de Ascensão para as margens do rio.

Os subscritores alertam que a transplantação das árvores “é tecnicamente inviável” nesta altura do ano, podendo pôr em causa a sua sobrevivência, refere a petição na Internet.

Em comunicado, a autarquia esclarece que as árvores não vão ser abatidas, mas antes transplantadas do local onde se encontram para as margens do rio Sizandro, por haver “condições favoráveis ao desenvolvimento do freixo junto a linhas de água”.

A câmara municipal, no distrito de Lisboa, explica que as árvores foram podadas para serem transportadas de forma correta por uma empresa especializada na área da silvicultura, “garantindo o mínimo dano possível durante o transporte”.

Os até agora 112 subscritores da petição acrescentam que, dada a maturidade, estas árvores, que se encontram junto ao passeio da Avenida Leal de Ascensão há cerca de 20 anos, contribuíam para a qualidade de vida dos moradores e comerciantes, ao absorver o dióxido de carbono daquela avenida.

Por outro lado, dizem que a sombra dos freixos é necessária a transeuntes, moradores e comerciantes nesta zona da cidade exposta ao sol, sob pena de os edifícios passarem a estar sobreaquecidos e aumentarem o seu gasto energético em equipamentos de refrigeração.

A câmara municipal justifica a decisão “com os danos” provocados pelas raízes das árvores “em infraestruturas subterrâneas e no próprio pavimento” e com as obras de construção da rede de ciclovias na cidade.

O município refere que os freixos vão ser substituídos por árvores-de-júpiter por ser “uma espécie ornamental de menor porte e adequada a alinhamentos urbanos”, além de ter um porte menor, até aos seis metros de altura, contra os 15 dos freixos.

Com esta medida, defendem os subscritores da petição, a autarquia “está a contradizer-se quando defende metas de sustentabilidade” num concelho que está entre os melhores 100 destinos verdes do mundo (“Green Destinations”) e soma várias bandeiras verdes, iniciativa da Associação Bandeira Azul da Europa.

Nas redes sociais, vários cidadãos insurgiram-se e organizaram iniciativas de descontentamento, como a de publicarem fotografias abraçados às árvores e enviarem ao município.

No final de março, o município apresentou o Plano de Rearborização para a cidade, sessão em que explicou que existem 3.210 árvores na cidade, “havendo, no entanto, casos de seleção desadequada de espécies, de conflitos com infraestruturas (aéreas e subterrâneas) e de intervenções tecnicamente desaconselhadas”, de acordo com um comunicado divulgado na altura.

Com o plano, a autarquia pretende “melhorar a qualidade do ar, manter a permeabilidade do solo, melhorar a qualidade de vida na cidade e no espaço público, melhorando o enquadramento paisagístico da malha urbana, assegurar a continuidade da estrutura verde urbana e dar resposta aos problemas identificados”.

No âmbito do plano, a autarquia prevê plantar 185 árvores na cidade.

FYC // ROC

Lusa

Imagens: Sapo 24

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