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Bombeiros da Lourinhã sem meios para responder a aumento de emergências

Os bombeiros da Lourinhã estão sem meios humanos suficientes para fazer face ao aumento das ocorrências, resultante do crescimento da população, e recorrem cada vez mais a corporações vizinhas, disse hoje o seu comandante.

“O corpo de bombeiros da Lourinhã tem sentido muitas dificuldades em garantir um socorro rápido à população”, afirmou à agência Lusa Carlos Pereira.

A corporação depara-se no dia-a-dia com o “aumento das chamadas de socorro, meios materiais e humanos insuficientes em determinados períodos do dia e necessidade de recorrer a corporações de concelhos limítrofes para efetuarem o socorro no concelho”.

Tendo em conta que os bombeiros são os principais agentes da proteção civil no concelho, a associação tem dado a conhecer as suas preocupações à Câmara Municipal da Lourinhã e vindo a pedir-lhe não só apoio à aquisição de veículos, mas também a revisão “urgente” do protocolo de colaboração, que era de 165 mil euros por ano, mas que foi reduzido para 120 mil em 2015.

Contactado pela Lusa, o presidente da câmara, João Duarte Carvalho, disse que o município está disponível para “apoiar a aquisição de duas ambulâncias”, mas tenciona “manter o protocolo” assinado para 2015 a 2017, justificando que os encargos com a corporação ascendem este ano a 213 mil euros.

Isto porque, além dos 120 mil euros anuais, o município vai pagar 70 mil euros de comparticipação à obra do novo quartel, em funcionamento desde 2012, e assegurar ainda o pagamento de seguros dos voluntários e de um funcionário.

O apoio para 2017 sobe para 223 mil euros, uma vez que o protocolo prevê um aumento de 120 para 130 mil euros anuais.

Dados da corporação facultados à Lusa apontam para 6.155 ocorrências emergentes em 2015, acima das de 2014 (6.065) e de 2013 (5.835).

O aumento de pedidos de socorro é justificado com o aumento da população do concelho (23.265 em 2001 para 25.735 em 2011, segundo os últimos Censos), sem ter sido acompanhado pelo aumento de operacionais e de veículos.

O comandante da corporação explicou que tem havido uma “redução preocupante do efetivo do corpo de bombeiros”, uma vez que “muitos voluntários foram obrigados a emigrar e 80% dos 83 atuais voluntários tiveram de ir à procura de trabalho fora do concelho”, estando indisponíveis para ajudar no socorro entre as 07:00 e as 19:00.

A média de idade das ambulâncias é de 12 anos e todas têm em média mais de 500 mil quilómetros. A Associação dos Bombeiros Voluntários da Lourinhã precisa de substituir duas ambulâncias, mas desde há seis anos que não tem capacidade financeira para tal, devido também à construção do novo quartel.

Pela incapacidade de resposta aos pedidos de socorro, a corporação da Lourinhã teve 41 ocorrências asseguradas em 2015 por bombeiros de concelhos vizinhos, um número que tem tendência a subir, segundo o responsável operacional.

“Estamos alargar o tempo de resposta ao socorro, porque qualquer uma delas está a mais de 20 quilómetros de distância, comprometendo uma intervenção rápida e adequada, podendo pôr em risco a vida de qualquer sinistrado. Além disso, podemos ter o caso de os meios estarem empenhados noutras ocorrências, alargando ainda mais o já dilatado tempo de resposta ao socorro” alertou Carlos Pereira.

Para colmatar a falta de meios, considerou, a corporação necessita de adquirir novas viaturas e de criar uma terceira equipa de intervenção permanente para garantir o socorro durante 24 horas.

FYC // ROC

Lusa

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