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Filme “Capitão Falcão” é para pôr os portugueses a olhar para o passado (com vídeo)

O realizador João Leitão estreia, no dia 23, “Capitão Falcão”, uma comédia que ridiculariza o Estado Novo, parodia Oliveira Salazar e quer pôr os portugueses a olhar outra vez para “um período negro” da História de Portugal.

“Capitão Falcão”, que abrirá o festival IndieLisboa e se estreia em 50 salas, é protagonizado por um super-herói que, às ordens de António de Oliveira Salazar, tenta manter Portugal a salvo da ameaça dos comunistas, dos capitães de Abril e de todos os que não amam “a Pátria”.

Em entrevista à agência Lusa, João Leitão – que cumpre a estreia cinematográfica – afirmou que a ideia sempre foi fazer um super-herói português dos anos 1960. “Historicamente, a única coisa que podia conseguir era lutar contra o regime ou ser do regime. E é muito mais hilariante imaginar que ele é a favor do regime. O conceito base foi ‘vamos fazer tudo ao contrário’. O vilão é o herói e o herói é o vilão”.

Coube a Gonçalo Waddington vestir o disfarce de Capitão Falcão, sendo acompanhado por Puto Perdiz, o ator David Chan Cordeiro, também responsável por todas as coreografias de lutas do filme. A dupla é uma espécie de “Batman & Robin, mas fascistas”.

A ideia do filme vem de 2009, começou por ser pensada para uma série de televisão com vários episódios – porque a temática “tem um manancial incrível”, diz João Leitão -, mas acabou por ser abandonada. Sobrou um episódio piloto que serviu de rastilho para uma longa-metragem.

Em “Capitão Falcão”, o super-herói desconfia de uma conspiração dos comunistas para derrubar Salazar, mas acaba por cair numa cilada dos “Capitães de Abril”, que querem instaurar a democracia no país. Pelo meio há muitos confrontos, cenas de luta e pancadaria – tudo coreografado e sem sangue à vista.

No filme, João Leitão não deixa escapar à paródia a muitos dos estereótipos da sociedade portuguesa, sobre os comunistas, as feministas, os revolucionários, a austeridade, o conservadorismo e a ideia de ser português. Até D. Afonso Henriques tem direito a protagonismo.

“Há um terreno tão fértil para gozar no Estado Novo que, para mim, é surreal não ter sido mais usado na comédia. Uma série inteira, um filme inteiro, é bizarro para mim nunca ter acontecido”, reconheceu João Leitão.

A compor o enredo, João Leitão acrescentou bastantes referências, como as coreografias de Bruce Lee e Jackie Chan, as séries televisivas “Alô Alô” e “Blackhadder”, as personagens Batman e Green Hornet, os desenhos animados “Ren & Stimpy” e “Looney tunes”.

David Chan Cordeiro e Gonçalo Waddington admitem que o filme pode melindrar alguns espetadores.

“Acho que as pessoas vão perceber a piada por detrás (…), mas há uma forte possibilidade de ofender alguns grupos. Se o fizermos é porque o trabalho ficou bem feito”, afirmou David Chan Cordeiro à agência Lusa.

Gonçalo Waddington acrescentou: “A inteligência com que isto é escrito, filmado e feito, está muitos furos acima daquilo que normalmente leio e vejo. Pode ofender pessoas com um QI um bocadinho… Quem não está preparado pode sofrer. No humor nada é intocável, por uma questão de princípios. Não há limites para o humor, há limites para o mau gosto e para a estupidez”.

João Leitão tem preparado um segundo filme – há uma pista deixada no final de “Capitão Falcão” – e, talvez um terceiro, mas tudo dependerá da recetividade dos espetadores e da receita de bilheteira.

O elenco de “Capitão Falcão” integra ainda Miguel Guilherme, José Pinto, Rui Mendes, Tiago Rodrigues, Luís Vicente, Carla Maciel e Ricardo Carriço, entre outros. A banda sonora, composta por Pedro Marques, foi gravada pela Orquestra Sinfónica de Praga.

SS // MAG

Lusa

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