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Lourinhã cria negócios a partir da aguardente

dox_lourinhaUma das três da Europa classificada como região demarcada, a Aguardente da Lourinhã está a despertar a criatividade da economia local na criação de produtos, que estão a conquistar consumidores.

Pedro Ferreira, proprietário de uma pastelaria do centro da Lourinhã, tenciona alargar ao país e até internacionalizar o negócio de venda do pastel de aguardente, cujo sabor da bebida e da amêndoa considera serem “inconfundíveis”.

Há ano e meio que decidiu, à experiência, confecionar uma receita antiga, que aperfeiçoou juntando alguns segredos à farinha, amêndoa, açúcar, ovos, margarina, coco, leite e aguardente e começou por dar a provar aos clientes.

Mas rapidamente começou a comercializá-los, vendendo por dia uma centena de pastéis.

“Não esperava que tivesse o impacto que teve. Há pessoas que não apreciam aguardente nem outras bebidas alcoólicas, sobretudo senhoras, mas gostam de comer um pastel de aguardente a acompanhar o café. De igual forma, quem conhece bem a aguardente vem também à procura do pastel”, conta o pasteleiro.

Além de vender ao balcão a turistas e imigrantes naturais do concelho, o comerciante recebeu pela Internet pedidos de encomenda para a França e para a Alemanha.

“Tenho tido um bom retorno. Apesar da crise, este foi um dos melhores verões à conta dos pastéis. Produzimos dia sim, dia não”, sublinha Pedro Ferreira.

A aguardente despertou também a faceta empreendedora e criativa de Sílvia Baptista, que, em oito meses, abriu atividade de venda ao público, criou duas marcas já registadas de bombons de chocolate, cujo recheio é feito a partir de aguardente (e de café, no caso de um deles) e vende já mais de uma dúzia de bombons diferentes.

“Quando estive em casa de licença de maternidade, decidi ir aprender e fazer uns bolos para ocupar o tempo. Quis aperfeiçoar e fui para a Academia Profissional de ‘Cake Design’, onde aprendi a trabalhar com o chocolate. Comecei a pensar no que podia fazer para divulgar a minha terra e aí surgiu a ideia de bombons de aguardente da Lourinhã”, explica.

Após dar a provar a familiares e amigos, começaram a surgir encomendas e, por mês, confeciona cerca de meio milhar de bombons, cuja aceitação pelos consumidores é “muito positiva”.

Nos últimos dois séculos, a aguardente da Lourinhã era vendida para a produção do Vinho do Porto e era escolhida como digestivo pelos consumidores, antes da liberalização do mercado dos vinhos e da entrada do ‘whisky’ nos mercados.

Em 1992, viu a sua qualidade reconhecida, com a publicação de legislação que veio criar a respetiva Região Demarcada e a Denominação de Origem Controlada, única em Portugal e terceira na Europa, a par do ‘cognac’ e do ‘armagnac’.

Nos últimos anos, passou a ser vendida nos principais hipermercados nacionais e há um ano internacionalizou- com exportações regulares para Macau, mas está longe de ser conhecida dos consumidores como as concorrentes francesas.

Fonte: Lusa

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