Livro tira mulheres da “sombra” para contar o 25 de Abril

25 de abril mulheresO novo livro da jornalista Ana Sofia Fonseca conta os momentos que desencadearam a revolução de 25 de Abril de 1974 através dos relatos de “protagonistas na sombra”, as mulheres dos militares diretamente envolvidos no golpe.

“Capitãs de Abril” (A Esfera dos Livros), conta “a intimidade do golpe militar e da revolução”, resume a autora, em declarações à Lusa.

“Este livro apresenta uma outra visão do 25 de Abril, um outro ângulo da História”, destaca, explicando que quis, no fundo, “conhecer o golpe na sua intimidade”.

A operação militar que culminou na revolução foi desencadeado por homens, “num país à época liderado por homens”, mas Ana Sofia Fonseca quis explorar “as vivências, a experiência, os sentimentos, a forma de estar das mulheres desses homens”.

Como lidaram elas com a revolução? Foi isso que procurou saber nas entrevistas que foi fazendo, ao longo de uma década, mergulhando nos anos 1970 e na rotina da vida privada da época. “É a revolução vista por dentro, vista de casa”, observa.

Entre as mulheres do livro estão Dina Saraiva de Carvalho, Natércia Salgueiro Maia, Teresa Alves ou Gabriela Melo Antunes, mas também duas histórias femininas não relacionadas com os protagonistas diretos do golpe militar: a de Clarisse Guerra, a única mulher que leu um comunicado do Movimento das Forças Armadas aos microfones da rádio, e a de Celeste Martins Caeiro, mais conhecida como “Celeste dos cravos”, que, “sem saber bem como, acaba por dar nome à revolução”.

As mulheres não tiveram “um papel tão passivo como se pensa à primeira vista”, observa Ana Sofia Fonseca, destacando que elas foram “protagonistas na sombra e muitas tiveram influência” nos acontecimentos.

Porém, “fala-se muito pouco” dessas mulheres, lamenta a autora, observando que guerra, golpe militar e revolução são assuntos associados a homens. Ora, acredita Ana Sofia Fonseca, conhecer a visão delas “ajuda a compreender a História” do país.

“É preciso compreendermos o passado para estarmos no presente e para pensarmos o futuro”, sustenta. “A minha geração não tem que ter nem nostalgias nem tabus em relação a esta época, deve olhar para este época como para qualquer outra”, sugere.

Fonte: Lusa

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